segunda-feira, 9 de setembro de 2013

IODO

IODO

Textos

Deficiencia em iodo

Geografia da deficiência em iodo

Iodo e tiroideia

Iodo na gravidez

Iodo nos alimentos

Iodo em vegetarianos1

Suplementos






sábado, 7 de setembro de 2013

Fosfatos

TEXTO

Estrutura


O fosfato é constituído por um átomo de fósforo, um de oxigénio e 0 a 3 de hidrogénio, ressoando entre varias formas .
A pH neutro a forma predominante é o HPO4. A  pH ácido é o ácido fosfórico.
O fosfato livre é também designado como fosfato inorgânico (Pi). O fosfato orgânico corresponde ao fosfato ligado covalentemente através de um hidroxilo a glúcidos, proteínas e outros componentes da célula. No fosfato orgânico a capacidade em ressoar diminui e o grupo fosfato roda e mexe-se menos em solução. Por conseguinte a cisão catalítica do grupo fosfato aumenta o numero de movimentos possíveis do fosfato livre com aumento de entropia e libertação de energia. Os enzimas dependentes do ATP podem capturar esta libertação de energia e associa-la a uma reacção energeticamente desfavorável.
O grupo fosfato  quase exclusivamente associado a esta captação e transferência de energia é o fosfato terminal do ATP. Com a cisão do ATP libertam-se dois grupos fosfato ligados entre si como pirofosfato (Ppi) posteriormente cindidos em duas moléculas de fosfato inorgânico.


Fontes e necessidades

Os fosfatos encontram-se em quase todos os alimentos sendo a sua distribuição muito semelhante à do cálcio. As necessidades de fósforo cifram-se em 1 a 1,5 g/dia.

Absorção

Os mesmos factores que influenciam a absorção do cálcio, influenciam a do fósforo. Forma complexos insolúveis com magnésio e ferro que impedem a sua absorção. É regulada pelos mesmos factores hormonais e vitaminicos que o cálcio. A quantidade de fósforo no organismo é controlada muito mais pela sua excreção urinária que pela absorção.

Distribuição

O fósforo é o segundo mineral mais abundante do organismo. 80 a 90% está ligado ao cálcio nos ossos e dentes, sendo a razão Ca/P de 2/1. Encontram-se quantidades menores de fósforo nos eritrocitos No sangue a maior parte do fósforo está na forma livre, estando apenas 10% ligados a proteínas.

Função

O fósforo é fundamental para a formação dos ossos e dos dentes, fazendo parte dos cristais de hidroxiapatite. A ligação do fósforo às matrizes óssea ou dentaria é  um dos passos iniciais da mineralizaçao.
Sendo o fósforo um constituinte do ATP torna-se indispensável para a formação de energia através do ATP.
A fosforilaçao de proteínas particularmente de enzimas  é uma forma importante de regulação metabólica.
Participa na estrutura dos ácidos nucleicos e de outras moléculas que desempenham um papel fundamental no metabolismo como  os AMP e GMP cíclico e o bisfosfoglicerato.
Faz parte da estrutura dos fosfolipidos, presentes em todas membranas celulares.
Os fosfatos são tampões, intervindo assim na regulação do equilíbrio ácido-base

Excreção

A quantidade de fósforo excretado pela urina depende principalmente do que foi absorvido. H2PO$ é de 4. A absorção tubular do Nas fezes a quantidade de fosfato eliminada é muito reduzida e representa maos o fosfatos nau absorvidos que os segregados pelo tracto gastro-intestinal.

Patologia

Deficiência
A deficiência é rara porque o conteúdo em fosfatos na alimentação é adequado. Todavia podem observar-se deficiências nas seguires situações:
·         Uso crónico de antacidos com alumínio, visto que estes antacidos formam um complexo com os fosfatos impedindo a sua absorção.
·         Excreção urinaria aumentada que se pode observar na inanição e na cetoacidose diabética.
·         Alcoólicos crónicos  A deficiência em fosfatos pode explicar-se pela absorção diminuída, absorção diminuída e excreção urinaria aumentada.
  • Prematuros As necessidades do  prematuro é maior porque a  velocidade do crescimento é maior assim as necessidades são mais elevadas. No prematuro pequeno as necessidades em fosfatos ano podem  ser preenchidas completamente pelo leite materno.

Hiperfosfatemia
Fala-se em hiperfosfatemia quando o fosfato serico ultrapassa os 5 mg/100 ml.
Uma causa  possível é o uso exagerado de laxantes ou clisteres contendo fosfatos. A bebida acidental de formulas de clisteres rias em fosfato pode levar a teores de fosfato na ordem dos 40-60 mg%, podendo levar à morte quando se passa em crianças pequenas. Estas hiperfosfatemias levam a hipocalcemia  pela formação de complexos com o cálcio.
A causa mais frequente de hiperfosfatemia é a insuficiência renal crónica. A consequência a longo prazo desta hiperfosfatemia é o deposito nos tecidos moles de cristais de fosfato de cálcio.



LINKS

Textos


Fosforo nos alimentos


Hiperfosfatemia


Hipofosfatemia


Suplementos






sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Ferro

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Directorios



Textos



Metabolismo

Absorção


Desenvolvimento da célula


Transporte



Deficiencia


Hemosiderose



Hemosiderose pulmonar idiopática


Hemosiderose transfusional


Sobrecarga em ferro


Infecções oportunistas e sobrecarga em ferro

1
Suplementos em ferro








quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Cromio

TEXTOS


Características químicas


Pode apresentar-se nos estados de oxidação II, III e VI. A forma II passa facilmente à III na presença de oxidantes. A VI é altamente oxidante e passa a III na presença de redutores. No organismo só são interessantes as formas III e VI. Têm propriedades físico-químicas que justificam o seu grande emprego na industria, o que explica a existência de intoxicações pelo crómio.
Como a forma VI é altamente tóxica, as águas residuais são tratadas para se converterem na III.


Fontes.


Na natureza encontra-se como Cr(III) cujos sais são muito pouco solúveis e de toxicidade baixa.
O conteúdo nos alimentos é baixo. A fonte mais importante é a proteína animal. As bebidas apresentam cerca de 1/3 da ingestão total.


Necessidades


Idade                Necessidades em ug/dia
                                Homens   Mulheres

0-6 meses                   0,2               0,2
6-12 meses                  5,5               5,5
1—8 anos                    13               13  
9-13                              25               21    
14-50                             35              25   
»51                                30               20
Gravidez                                          30
Lactação                                           45

A ingestão média é de 23-29
A RDA proposta é de 50-200
Parece que o conteúdo em crómio na alimentação se encontra abaixo das necessidades. Há quem aconselhe a suplementação na terceira idade, diabetes, ateroesclerose e algumas doenças crónicas


Absorção


Absorção oral

É a via usual de absorção. A absorção é maior quando a secreção gástrica é moderada ou baixa e o Cr(VI) não se reduz a III. A maior parte da absorção faz-se no jejuno por difusão passiva.

Inalação

É a maior via da entrada nas  intoxicações profissionais. Na industria são usados frequentemente compostos de crómio sob a forma de aerossóis, vapores ou pó que podem ser inalados. A  absorção depende da tensão superficial e do peso e tamanho das partículas. De um modo geral as partículas com diâmetro superior a 5 micra depositam-se nas vias altas, de 2 a 5 na árvore bronquica e vias inferiores e menor que 2 nos alvéolos. Uma parte deposita-se sempre no tecido pulmonar como forma insolúvel.

Absorção cutânea

O crómio é absorvido facilmente pela pele, em especial se houver lesões.

Distribuição


O cromio VI atravessa facilmente a membrana celular, ao contrário do III, sendo o cromio VI reduzido a III  nas mitocondrias e no núcleo.
O crómio no sangue distribui-se em partes iguais entre os eritrocitos e o plasma. O cromio VI atravessa a membrana dos eritrocitos e reduz-se posteriormente ficando ligado à fracção globulinica da hemoglobina.
O cromo III não se  incorpora no eritrocitos unindo-se à globulina serica para depois ser excretado.
No soro o crómio é transportado pela ferritina e em menores quantidades pela albumina.
O crómio incorpora-se nos tecidos, fazendo complexos com aminoacidos.


Excreção


60 a 80% do crómio é eliminado pela urina. O restante é eliminado pela bílis, pelo suor e unhas.


Funções


O mecanismo de acção do crómio ainda é pouco conhecido. O cromo III é um cofactor da insulina, facilitando a entrada da glicose para dentro da célula. O crómio poderia actuar aumentando os receptores da insulina mediante a formação de um composto ternário entre a insulina e os receptores tissulares.
A resposta ao receptor é facilitada por uma proteina de baixo peso moleculara LMWCr que existe numa forma inactiva ligada a um peptido que deverá ser removido para ela poder actuar.
A sua carencia poderá estar associada à diabetes tipo II.


Deficiencia


Descreveram-se três casos de alimentação intravenosa prolongada sem suplementos de crómio em que se observaram tolerancia diminuida à glicose e necessidades aumentadas de insulina, sintomatologia semelhante ao sindroma plurimetabólico.Há uma resposta favorável a suplementos de crómio
50% dos casos de sindroma plurimetabolico respondem a suplementos de crómio

Intoxicação.

O crómio VI para se reduzir em III sofre uma redução intracelular necessitando de NAD e NADPH. Nas intoxicações o excesso do crómio VI mobiliza grandes quantidades destes nucleotidos o que irá afectar vários processos metabólicos.
Os casos de intoxicação aguda são raros sendo causados por ingestão de quantidades excessivas de crómio, manifestando-se por inflamação do tubo digestivo e posterior necrose e nos sobreviventes, lesões hepáticas e renais.
A intoxicação crónica deve-se a causas ocupacionais e é produzida  sempre pelo crómio VI. Está descrito um numero aumentado de aberrações cromosomicas.
As concentrações sericas superiores a 1mg/100 ml são letais.
O sinais mais frequentes de intoxicação são alterações dérmicas com erupções localizadas quase sempre no antebraço. Também se pode observar coloração amarelada dos dentes, gastrite, esofagite e ulcera do estômago.
As próteses ortopédicas utilizadas em implantes têm crómio e, como consequência, podem libertar pequenas quantidades de crómio VI.

       

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Directorios




Textos


Suplementos de cromio



Cromio e diabetes



Toxicidade





quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Cobre

Textos



O cobre é um elemento vestigial essencial. Existe nas formas cuprosa (Cu++) e cuprica (Cu+++) sendo esta ultima a mais frequente no organismo.

Fontes


O cobre está muito distribuído nos alimentos. As fontes mais abundantes são mariscos, fígado, rins, cérebro, nozes, leguminosas secas, passas e cacau. .


Necessidades diárias


Idade                        mg/dia
Até 1 ano                        220
1-3                                                                       340
4-8                                                                         440
9-13                                   700  
»14                                     900
Gravidez                            1000

Lactação                           1300

Nos EUA o consumo médio é de 1000-1100 para a mulher  e de 1200-1600 para o homem

    

Absorção


Tal como o zinco é absorvido no duodeno pela acção da metalationeina. A intensidade da sua absorção depende   do aporte alimentar indo de 55% para aportes baixos a 12% para altos.


Transporte


10% do cobre é transportado pela albumina e 90% pela ceruloplasmina. Como o cobre está muito menos fortemente ligado à albumina que à ceruloplasmina, a albumina cede muito mais facilmente o cobre aos tecidos e parece desempenhar um papel muito mais importante no transporte do cobre.
Ao chegar ao fígado é reduzido por uma redutase membranária e penetra no hepatocito por transferência passiva.

Ceruloplasmina


A ceruloplasmina contém uma cadeia polipeptidica única tendo o peso molecular de 132.000. É sintetizada no fígado onde recebe seis átomos de cobre e depois é segregada para o plasma.
O papel da ceruloplasmina não é ainda bem conhecido. Parece ter um papel importante no metabolismo do ferro, possivelmente catalisando a oxidação do ferro ferroso em ferrico forma sob a qual o ferro se liga à ferritina.
Todavia não há qualquer explicação sobre esta associação do transporte do cobre e do ferro.


Funções


Os metaloenzimas contendo cobre estão envolvidos em reacções usando oxigénio 





Enzimas contendo cobre

Enzimas
Funções
Citocromo oxidase
Cadeia respiratória
Lisil oxidase
Síntese do colageneo
Dopamina-b-hidroxilase
Síntese de neurotransmissores
Tirosinna oxidase
Síntese da melanina
Superoxido dismutase citoplasmica
remoção do oxigénio
Amino-oxidase
Catabolismo da histamina
Uricase (não nos primatas)
Catabolismo do acido úrico nos não primatas


Excreção

O cobre excreta-se através da bílis para o intestino. Os lisosomas excretam para a bílis o cobre que se separou da ceruloplasmina através do seu catabolismo. O cobre não absorvido é eliminado pelas fezes. Como a  ceruloplasmina não atravessa o glomerulo, o cobre não é excretado pela urina.




Patologia


Hipocupremia:  Encontram-se níveis séricos de cobre diminuídos na malnutrição proteica, em prematuros alimentados exclusivamente com leite e na alimentação parentérica prolongada. Na deficiência intensa observa-se anemia pela diminuição da síntese do heme e transtornos neurológicos por diminuição da síntese da mielina.
Hipercupremia:  Descreveram-se níveis sericos elevados de cobre em muitas infecções agudas e crónicas, talvez devido a um mediador leucocitário actuando sobre a síntese hepatíca de ceruloplasmina.
É discutida a sua participação na dpença de Alzheimer
Pode surgir pela ingestão de água contaminada.
Pode ser libertado de canalizações em cobre pela acção corrosiva de algumas águas, nomeadamente as águas acidas e com baixo teor em minerais.
Descreveu-se tambem hipercupremia em infecções agudas e crónicas que será provavelmente devida à acção de um mediador leucocitario estimulando a síntese de ceruloplasmina no fígado.

Doença de Wilson

Na doença de Wilson ou degenerescência hepatolenticular o cobre não é  incorporado do hepatocito e não é excretado pela bílis. Resulta daqui um grande aumento do cobre citosolico e uma redistribuição progressiva do cobre ao nível dos lisosomas  o que pode levar a uma necrose dos hepatocitos e há uma libertação macissa de cobre para o plasma que se irá acumular preferencialmente no sistema nervoso e na córnea. O aumento do cobre nas células hepáticas inibe a sua ligação com a ceruloplasmina que por esta razão terá teores baixos no sangue. Como consequência da acumulação de cobre pode surgir anemia hemolitica, cirrose hepática e um síndroma neurológico devido à acumulação de cobre nos gânglios basais. O cobre também se pode acumular na retina, levando ao aparecimento de um anel amarelo-acastanhado, o anel de Kayser-Fleischer, característico desta doença.
A causa desta doença parece ser devida à mutação de uma proteína transmembranaria, a proteína ATP/B ou proteína de Wilson, que tem por função fazer um vaivém entre o meio externo e o interior das células, conduzindo o cobre para as metaloproteinas contendo cobre. A doença é autosómica recessiva, sendo a mutação mais frequente a mudança da His 1069 para Gln 1069.
A doença de Wilson diagnostica-se pelo aumento da excreção urinária de cobre e do cobre plasmatico não ligado à ceruloplasmina.
Quando não tratada, a doença é mortal. O tratamento consiste no emprego de quelantes, sendo o mais eficaz a penicilinamida. Após um período inicial com penicilinamida, poder-se-á seguir  a administração de doses elevadas de zinco (150 mg de zinco per os/dia). O zinco administrado aumenta a metalotioneina intestinal que irá fixar cobre e eliminá-lo pelas fezes.


Doença de Menkes

Esta doença também é conhecida pelo síndroma dos cabelos quebradiços devido à textura particular dos cabelos que se  partem com facilidade. Observa-se uma diminuição do cobre no soro, fígado e cérebro e aumento no intestino e rins. Deve-se a um defeito na absorção intestinal de cobre depositando-se este na metalotioneina intestinal. Trata-se da mutação de uma proteína existente no retículo endoplasmico. Está relacionada com o cromossoma X e portanto está ligada ao sexo masculino. Surge nas primeiras idades levando geralmente à morte antes dos três anos. A sintomatologia deve-se ao funcionamento defeituoso dos enzimas contendo cobre como a lisil oxidase e a dopamina b-oxidase. A  deficiência em lisil oxidase diminui as ligações cruzadas acarretando os cabelos quebradiços, fragilidade arterial, osteoporose. A deficiência em dopamina-b-hidroxilase pode explicar os sintomas neurológicos.



Links

Textos


Cobre nos alimentos


Absorção do cobre


Cobre e metabolismo do colagénio


Cobre e saúde



Cobre na agua corrente




Deficiencia em cobre


Situações alterando o metabolismo do cobre



Deficiencia em cobre e desenvolvimento prenatal


Toxicidade do cobre


Menkes


Wilson


Cobre nas doenças neurológicas



Medicina complementar








segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Calcio



TEXTOS


Necessidades


Os adultos necessitam de cálcio para manter a estrutura esquelética. As necessidades aumentam nas crianças devido ao crescimento dos ossos, nas grávidas devido ao desenvolvimento dos ossos do feto e na lactante devido à  produção de leite.
Consumos elevados de proteínas  podem aumentar a excreção urinaria de cálcio. É o chamado efeito calciúrico das proteínas. Este efeito não ocorre sempre mas é mais frequente na alimentação com baixos teores de cálcio e teores elevados de proteínas.


Valores recomendados

Idade                     mg/dia

0-1 ano                     250
1-3                                                         500
4-8                             800
9-18                            1300

19-50                         1000

»50                              1200

Gravidez e lactação« 18   1300
Gravidez e lactação »19    1000

 

 

 

Fontes


Numa alimentação normal, os alimentos mais ricos são o leite e derivados e vegetais com folhas verde escuras (quanto mais escuras, mais ricas em cálcio). Encontra-se em muito menores quantidades   em lentilhas, nozes, figos, couves, espargos e ainda na carne e no peixe. Na nossa alimentação mais de 50 a 85% são fornecidos pelo leite e produtos lácteos, representando a carne e o peixe apenas 10%.

Distribuição


O cálcio é o ião mais abundante do organismo. Um adulto com 70kg contém cerca de 1200g de cálcio. 99% do cálcio encontra-se nos dentes e ossos. O osso jovem contém fosfato tricálcio amorfo e o maduro cristais de hidroxiapatite de fosfato de cálcio hidratado e de hidroxiapatite. O 1% restante encontra-se nos tecidos  moles e  líquido extracelular e como parte das diversas estruturas membranárias. A quantidade de cálcio circulante é independente do cálcio ingerido. No soro encontra-se 5 mEq/l e no liquor 2.

Absorção


O cálcio é absorvido no intestino, principalmente no duodeno e porção alta do jejuno por um processo de transporte activo na qual intervêm uma ATP-ase específica e uma proteína fixadora de cálcio. A síntese desta vitamina necessita de um metabólito da vitamina D, o 1,25-dihidroxicolecalciferol sintetizado no intestino em resposta a baixas concentrações de cálcio plasmatico, síntese estimulada pela PTH. Parte do cálcio é absorvida por difusão facilitada. Em condições normais só 20 a 30% do cálcio é absorvido sendo o restante excretado pelas fezes, urina e suor.

Alguns factores podem afectar a absorção do cálcio:
Necessidades: a absorção aumenta quando a quantidade de cálcio ingerida é baixa ou as necessidades aumentam. Nestes casos aumenta a proteína fixadora do cálcio.
Acidez gástrica: o ácido clorídrico é necessário para converter os sais básicos de cálcio, insolúveis, em sais mais solúveis.
PTH: é necessária, como vimos, para a formação do 1,25 dihidroxicolecalciferol.
Vitamina D: a vitamina D é  necessária para a formação do seu metabólito activo o 1,25- dihidroxicloecalciferol. Assim, quando há deficiência de vitamina D (por  ingestão diminuída ou falta de exposição solar) diminui a absorção do cálcio.
Razão cálcio / fósforo: é desejável uma razão cálcio/fósforo de 1:1 ou 1:2. Estes valores encontram-se nos leites de vaca e de mulher, e também no osso.
Lactose: a lactose, existente no leite facilita a absorção pois que baixa o pH do ileon devido a acção das bactérias intestinais.
Acido cítrico: o  ácido cítrico, existente nas laranjas e limões, aumenta a acidez favorecendo assim a absorção.
Proteínas:  já falámos do efeito calciúrico das proteínas.
Ácidos oxalico e fitico: interferem com a absorção do cálcio pela formação de complexos insolúveis. Numa alimentação habitual o consumo destes compostos não é elevado, não interferindo com a absorção desde que a ingestão de cálcio seja suficiente.

Magnésio:O aporte excessivo de magnésio compete com a absorção do cálcio
Exercício: o exercício mantém o cálcio nos ossos ao contrário do sedentarismo

Exposição solar- Quanto menor a latitude, maior a concentração de vitamina D activa

 

 

 

Transporte


O cálcio presente no sangue provém da absorção intestinal e da reabsorção óssea. Cerca de 40% do cálcio sanguíneo está ligado a proteínas, na sua grande parte a albumina. Em geral 1 ou 2 iões cálcio estão associados à albumina., mas esta pode ligar-se a mais iões se a concentração do cálcio aumentar. Cerca de 13% está fracamente complexado com fosfatos, citratos e sulfatos
 47% ocorre como cálcio livre

Formas de cálcio

Forma
%
Ligado a proteínas
40
Complexado
13
Livre
47


O cálcio livre é  mantido dentro de estreitos limites (40-50 mg/ml), correspondendo o cálcio total a 85 - 105 mg.



Armazenamento


O cálcio é armazenado nas trabeculas dos ossos longos. 5% do cálcio ósseo é facilmente cambiável. O cálcio estável requer a acção reabsortiva dos osteoclastos. O cálcio facilmente cambiável aparece mais como fosfato de cálcio que como hidroxiapatite. Pensa-se que o aumento rápido de cálcio no sangue pode ser compensado pela sua fixação no osso nos sítios facilmente cambiáveis, e a sua diminuição súbita pela libertação de cálcio.

Excreção


Não considerando a eliminação pelas fezes do cálcio não absorvido, as principais vias de excreção do calcio são o rim e a pele



Regulação do balanço de cálcio


Papel dos ossos, rins e intestino: o equilíbrio  entre o cálcio sérico e o cálcio ósseo depende do balanço entre a actividade dos osteoblastos e os osteoclastos. Durante o crescimento predomina a actividade dos osteoblastos.
Rim: Os rins reabsorvem o cálcio com uma grande eficiência. Se não fosse este sistema de poupança de cálcio ter-se-iam que ingerir imensas quantidades de cálcio.
Intestino: É o regulador da absorção do cálcio. As alterações intestinais levando a absorção defeituosa como as diarreias e cancro podem causar um balanço  calcico negativo e perda de cálcio pelos ossos.
Vitamina D:  já discutimos a acção do 1,25 dihidroxicolecalciferol na síntese da proteína transportadora de cálcio intestinal.
PTH:  a PTH desempenha um papel crucial na regulação do cálcio serico. Quando o cálcio serico cai abaixo de 7 mg% a secreção de PTH aumenta, o que leva a formar-se no rim o 1,25-dihidroxicolesterol a partir da vitamina D.
A PTH tem as seguintes funções:
¨      Estimula a  produção da forma activa da vitamina D
¨      Facilita a mobilização do calcio e fosforo dos ossos
¨      Tem uma acção fosfaturica
¨      Maximiza a reabsorção tubular do calcio



Proteína sensora de cálcio


A sensibilidade aos níveis de cálcio sérico deve-se a uma proteína sensora de cálcio existente na membrana das células paratiroideias. É uma proteína de 1078 aminoácidos em que a parte N-terminal (613 aminoácidos) é extracelular, a parte transmembranaria entra e sai 7 vezes da membrana e a parte C-terminal (222 aminoácidos) é intracelular.
A diminuição do cálcio ligado ao sensor activa a proteína G que por sua vez desencadeia uma cascata de fenómenos

< Ca plasmatico
¯
< cálcio ligado à proteína sensora
¯
activação da proteína G
¯
activação da fosfolipase C
¯
aumento da libertação de IP3
¯
entrada de iões cálcio para o citoplasma
¯
aumento do cálcio plasmatico


Acção da proteína sensora nas células paratiroideias


RESUMINDO:

Quando o cálcio extracelular baixa a proteína sensora leva à libertação de PTH aumentando assim o cálcio plasmatico.
A proteína sensora também se encontra no rim  no ramo ascendente estando a sua região N-terminal em contacto com o liquido extracelular, não no lume mas no espaço entre os tubulos. No rim a proteína sensora actua quando há valores elevados de cálcio extracelular, fazendo diminuir a reabsorção do cálcio por um mecanismo totalmente independente da vitamina D.


Mecanismo de acção


Enzimas necessitando de cálcio

Enzima
Função
Amilase pancreática
Digestão do amido
Fosfolipase  A2 pancreatica
Hidrolise dos fosfolipidos alimentares 
Tripsinogenio
Activação em tripsina
Protease muscular activada pelo cálcio
Hidrolise da troponina em tropiomiosina
Fosfolipase C
Formação de IP3
Proteína quinase C
Sinalização celular
Factores de coagulação contendo GLA
Coagulação do sangue
Fosfolipase A2 pancreatica                                  Hidrolise de fosfolipidos


Alguns destes  metaloenzimas actuam na digestão do amido, fosfolipidos e prótidos. Os enzimas da coagulação não são meteloenzimas, mas proteínas  ligados ao cálcio pois que o cálcio não é necessário para a actividade catalítica mas para a ligação dos factores de coagulação aos fosfolipidos membranários. Esta ligação faz-se com os resíduos de carboxilglutamato (GLA) acarretando uma alteração funcional dos factores de coagulação expondo os sítios lipofilicos.
As acções do cálcio como segundo mensageiro, em que o cálcio funciona como sinal, fazem-se através de uma proteína intracelular, a calmodulina, proteína com 148  aminoácidos e dispondo de quatro domínios muito semelhantes cada um com um sitio de ligação para o cálcio. O cálcio altera a conformação da calmodulina permitindo-lhe activar enzimas por indução de uma alteração de conformaçao (fig. 2)

Quando o estímulo acabou a calmodulina  perde  o cálcio, retoma a sua configuração inicial e o cálcio é expulso para fora da célula.
Os  enzimas activados pela calmodulina são:
·         adenilciclase
·         guanilciclase fosfodiesterase
·         ATPase dependente do cálcio
·         fosforilase quinase do glicogenio
·         Sintase quinase do glicogénio
No músculo há uma outra proteína fixadora do cálcio, a troponina C que faz parte do filamento contratil e que quando fixa o cálcio tem uma alteração estrutural que causa a contracção muscular.


Hipercalcemia


Surge nas seguintes situações:
¨      Hiperparatiroidismo
¨      Sindroma leite-alcalino em que doentes com ulcera gastrica tomam grandes quantidades de leite e antacidos
¨      Sindromas paraneoplasicos quando as neoplasias segregam uma molecula com actividade semelhante à PTH
¨      Destruição de células ósseas por neoplasias

Hipocalcemia


Surge em:

  • Erros alimentares
  • Exposição ao mercurio
  • Consumo excessivo de magnesio como suplemento
  • Uso prolongado de laxantes contendo magnésio
  • Falta de acção da PTH
  • Falta de acção da vitamina D


LINKS

Textos


Alimentos ricos em cálcio



Calcio na dieta vegetariana


Calcio e osteoporose


Calcio e vitamina D


Hipocalcemia


Hipercalcemia



Hipercalciuria


Suplementos em cálcio



Carbonato de cálcio


Citrato de cálcio